Pesquisa científica de bem-estar animal, desenvolvida na Europa, tem coordenação de veterinário brasileiro

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Quando se trata de bem-estar animal, em especial, dos cavalos, a visão tende a ser generalizada, por vezes, sem conhecimento de causa, gerando polêmicas.
Nesse sentido, a avaliação com base científica e a aplicação de protocolos de saúde e bem-estar são fundamentais. É preciso ainda considerar, a relevância do projeto na cadeia produtiva da indústria do cavalo.

O Clube Hípico de Santo Amaro em São Paulo, maior polo de hipismo clássico no país, aderiu à pesquisa Animal Welfare Indicators (AWIN) – Indicadores de Bem-Estar Animal – com protocolos científicos de avaliação de bem-estar, com ênfase no reconhecimento de estresse e dor. O coordenador do AWIN é o cientista brasileiro Professor Doutor Adroaldo Zanella, pioneiro no setor em Universidades no Exterior, que hoje está à frente do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal da Universidade de São Paulo (USP).

A pesquisa no CHSA está a cargo da pós-graduanda em bem-estar de equinos pela USP e orientada pelo professor Zanella, Laura Pinseta, ex-amazona, que também tem formação em Direito Ambiental na FGV e OAB. A médica veterinária já atuou em diversos trabalhos de bem-estar de cavalos com o protocolo AWIN como, entre outros locais, no Jockey Club São Paulo, que foi piloto, no Jockey Club Brasileiro, no Rio de Janeiro, concluído no início de janeiro de 2020, e agora a partir de abril no Clube Hípico de Santo Amaro.

A médica veterinária Laura Pinseta, pós-graduanda em bem-estar de equinos pela USP, com formação em direito ambiental pela GV e OAB

Sobre Adroaldo Zanella, pioneiro mundial em bem-estar animal

Zanella é o primeiro Médico Veterinário do mundo com doutorado em bem-estar animal, na Universidade de Cambridge, em 1992, seguido pelo pós-doutorado na Universidade de Munique Ludwig-Maximilians até 1996, já com ênfase no desenvolvimento de métodos não invasivos para a mensuração de estresse em diferentes espécies de animais domésticos e selvagens.

Foi em 1996 que Zanella criou o programa de Comportamento e Bem-Estar Animal na Michigan State University e, em 2006, assumiu a cátedra de bem-estar animal na Norwegian School of Veterinary Science, em Oslo, Noruega, onde desenvolveu o programa de ensino e pesquisa em bem-estar animal. Em 2011, assumiu a cadeira de bem-estar e saúde animal no Scotland’s Rural College (SRUC) em Edimburgo, Irlanda, onde coordenou o projeto AWIN, financiado pela União Europeia. Desde 2013, Zanella é professor de bem-estar animal na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP.

A pesquisa no CHSA e novos preceitos de bem-estar

No CHSA, Laura Pinseta iniciou a pesquisa com universo de 51 cavalos que em populações acima de 200 animais reflete amostragem científica. Todos os cavalos têm a devida autorização de seus proprietários.

A avaliação considera indicadores de bem-estar como o escore de condição corporal, forma de disponibilização e aceitação da água, condições da cama e dimensão das baias, tipo de trabalho diário, alterações de pelagem, aspecto das articulações, corrimentos, consistência do estrume, respiração, expressão / escala de dor facial, saúde dos cascos e bucal, testes de medo, a relação humano-animal, além da avaliação qualitativa do comportamento.

Boa alimentação, bom ambiente, comportamento apropriado e boa saúde – cada item avaliado dentro de critérios específicos – refletem o nível de bem-estar do cavalo. “O fundamento de bem-estar está em protocolos de prevenção e não em tratamentos paliativos, ou seja, vale o conceito: melhor prevenir que remediar”, destaca Laura Pinseta.

“São diversos conceitos que aos poucos vêm sendo revistos como, por exemplo, a indicação de alimentação com verde à vontade. A análise laboratorial do feno aponta para índices de proteína, gordura vegetal e minerais para uma alimentação saudável, sempre com sal mineral à vontade”, complementa Laura.

CHSA: estrutura voltada ao bem-estar do cavalo

O Clube Hípico de Santo Amaro ocupa uma área de 327.000 m², contemplando 20 piquetes, trilha de 3,4 km para passeios a cavalo e caminhos adjacentes meio à mata atlântica preservada. Hospital Veterinário 24 horas, centro cirúrgico, conceituados médicos veterinários e enfermeiros em plantão permanente, média de seis cavalos para cada tratador (cuidador), duas farmácias com insumos de alimentação e medicamentos, fornecimento de feno de primeira qualidade, SPA equino – esteira de água, box de luz infravermelha, plataforma e câmara de crioterapia (gelo) – estão entre os diferenciais para melhor qualidade de vida dos cavalos.

As pistas para prática do esporte no clube têm piso de última geração, benéfico para diminuição do impacto nos membros do cavalo. Também há diversas opções para movimentação do cavalo em liberdade (sem sela), andador e/ou na guia.

O mercado do cavalo no Brasil

Diversificado, com 5,3 milhões de cabeças e ocupando o 4º lugar no ranking mundial em tamanho de plantel, o segmento do cavalo no Brasil vem em constante evolução, apresentando um crescimento bruto de 113% na última década, movimentando anualmente R$ 16,15 bilhões, gerando 3,6 milhões de empregos, sendo 610 mil diretos.
Essa é a conclusão do Estudo do Complexo do Agronegócio do Cavalo, publicado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) em primeira versão em 2006 e atualizado em 2016.

O Estudo aponta que o segmento compreende cadeias entrelaçadas em atividades que envolvem desde a criação de cavalos às indústrias de medicamentos, nutrição, selarias, laboratórios, acessórios para montaria, vestuário, além de centros de treinamento, centros hípicos e eventos, entre outros.

Brasil: 4º maior plantel de equinos no mundo

Em termos de criação são selecionadas oficialmente no Brasil 35 raças, nacionais e importadas, entre cavalos e pôneis, 17 delas com associações próprias. A liderança em tamanho de plantel é ocupada por uma raça genuinamente nacional, o Mangalarga Marchador, nascido em berço mineiro e que contabiliza 600 mil animais registrados e cerca de 15 mil sócios em todo o país, além de núcleos internacionais na Alemanha, Itália e Argentina.

A vice-liderança é ocupada pelo norte-americano Quarto de Milha com 543 mil animais registrados, 54 mil criadores, 108 mil proprietários e 33 mil sócios na ABQM – Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha. É o segundo maior plantel da raça no mundo, atrás, apenas, dos Estados Unidos. Em relação ao mercado, a raça gera mais de 300 mil empregos diretos e movimentou em 2017 cerca de R$ 225 milhões em leilões.

Terceiro colocado no ranking com 322 mil animais registrados, o Crioulo, de origem sul-americana, concentra 85% do plantel no Rio Grande do Sul, apesar de estar presente em todas as regiões do país. De todas as raças, foi a que mais cresceu em 2017: 41% em relação ao ano anterior movimentando R$ 131,82 milhões na venda de animais em leilões.

Na seleção de cavalos para o hipismo, em especial na modalidade salto, a referência é o Brasileiro de Hipismo (BH), raça que começou a ser formada nos anos 1970, evoluiu nas últimas décadas atingindo a produção de cavalos de alto rendimento que já marcam presença em desafios internacionais, inclusive em Olimpíadas e Pan-americanos. Hoje o BH conta com um plantel estimado em cerca de 30 mil animais registrados.

Fonte CHSA com infos: AWIN e MAPA

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